Por que a Bélgica?

Compartilhe este texto:

O Edgar Ferreti publicou um texto em sua página no facebook falando sobre os atentados terroristas de Bruxelas, condenando estas ações, com o que certamente concordam todas as pessoas civilizadas.
O terrorismo, apesar de largamente praticado em muitos momentos da história, nunca foi uma forma de luta política que possa ser aceita, mesmo quando se dirige contra governos autoritários, porque pune pessoas inocentes e raramente afeta aqueles que seriam os alvos principais.
E mais: quando atingem esses alvos, aumentam a brutalidade da reação daqueles que se pretendia atingir.
O professor Voltaire Schilling fez um apanhado dos principais grupos terroristas no mundo inteiro e mostra que eles são tão antigos como a história da humanidade.
Os zelotes, por exemplo, lutaram contra os romanos que ocuparam a Palestina do século 1 antes de Cristo, até o século 2, depois de Cristo, matando os invasores e os seus colaboradores entre os próprios hebreus.
Os norodniks infernizaram a vida da nobreza russa e acabaram por assassinar o Tzar Alexandre II em São Petersburgo em 1881.
O assassinato do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono austríaco em Sarajevo, precipitou a primeira guerra mundial
O espetacular atentado a bomba em 1973, contra o general Carrero Blanco, em Madri, feito pelo ETA, não impediu a continuidade do governo franquista, nem ajudou na independência do País Basco.
O que chama a atenção agora nos atentados terroristas na Europa é que eles se dirigem principalmente a três países – França, Inglaterra e Bélgica – deixando de lado outros grandes países do centro da Europa, como Alemanha, Itália, Espanha e Portugal.
O que teriam em comum estes três países e no que são diferentes dos demais países europeus?
 Alemanha e Itália, por se unificarem tardiamente em relação aos demais países, chegaram atrasados no processo de colonização na Ásia e principalmente na África; Portugal e Espanha, que também tiveram suas colônias na África, há muito haviam perdido força como países poderosos economicamente.
Para se ter uma ideia do tamanho dessa colonização na África, basta relacionar os países que nasceram dos antigos impérios coloniais francês e inglês.
O antigo domínio francês deu origem aos seguintes países: Marrocos, Tunísia, Guiné, Camarões, Togo, Senegal, Madagascar, Benin, Níger, Burkina Faso, Costa do Marfim, Chade, República Centro Africana, República do Congo, Gabão, Mali, Mauritânia, Argélia, Camarões e Djibuti.
Do império inglês, nasceram os seguintes países: Egito, Sudão, Gana, Nigéria, Somália, Serra Leoa, Tanzânia, Uganda, Quênia, Malavi, Zâmbia, Gâmbia, Lesoto, Maurícia, Suazilândia, Seicheles e Zimbawe. 
A independência desses países se fez em muitos casos após um longo período de lutas, algumas vezes extremamente sangrentas, como foram os casos da Argélia e do Quênia, o que certamente criou uma grande animosidade entre os antigos dominadores e dominados
A Bélgica, teve possessões menores na África – o Congo Belga, hoje República Democrática do Congo, Ruanda e Burundi – mas se destacou pela violência dos colonizadores contra os nativos.
O Congo Belga era uma possessão pessoal do Rei Leopoldo, da Bélgica, que em 1909 a transferiu para à Coroa Belga.
Em Ruanda, a pior herança dos colonizadores, foi a divisão do país em duas etnias – os tutsis, protegidos dos colonizados e os hutus – o que gerou um verdadeiro genocídio em 1994, depois da independência do País com mais de 800 mil mortos, no que ficou conhecido como o Genocídio de Ruanda.
Estima-se que mais de 25 milhões de africanos tenham sido assassinados durante todo o período em que o Congo foi ocupado pelos belgas, principalmente no período em que o país era uma propriedade pessoal do rei, num procedimento que chocou até mesmo os ingleses, que também sabiam ser impiedosos com os seus nativos.
Isso, se está longe de justificar, de certa maneira ajuda a entender porque a Bélgica se tornou um alvo preferencial dos terroristas.


Compartilhe este texto:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *