A nova propaganda gaudéria

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Hoje é 31 de maio do ano 172 DRF (de acordo com o nosso novo calendário: Depois da Revolução Farroupilha), começo a escrever “estas mal traçadas linhas” para tentar te explicar como tudo aconteceu. 
Primeiro, foi um projeto instituindo aquele hino que fala das nossas façanhas, nas cerimônias oficiais. Depois, veio a pilcha como traje oficial do Estado e as normas de como fazer um churrasco politicamente correto.
As coisas começaram a tomar um rumo radical quando alguém propôs na Assembleia que se adotasse um novo o nome do Estado, que passaria a se chamar oficialmente de Rio Grande do Sul – Estado Associado ao Brasil. O projeto não passou, até porque uma parte dos proponentes queria agregar mais um aposto explicativo ao nome – associado, por enquanto – o que dividiu o grupo e provocou a derrota. 
A propaganda não podia ficar atrás e logo surgiram propostas por “uma comunicação mais gaudéria”. O ponto de partida foi a Carta de Canguçu, de 20 de setembro do ano 168 DRF, que pedia o banimento da influência americana da nossa comunicação publicitária. 
Um glossário foi publicado no Jornal da Terra, com a tradução para o gauchês de uma série de nomes até então comum nas agências. Assim, saiu Boy e entrou Pia de Recados, em lugar de Mídia, ficou Distribuidor de Anúncios; Raugh deu lugar a Borrão e Layout foi substituído por Esboço. 
Aí, ninguém conseguiu mais segurar. Em Coronel Bicaco, um grupo intitulado Escrevinhadores de Reclames, lançou um manifesto “ contra a influência baiana que infesta os comerciais de televisão”. Em Santa Vitória do Palmar, uma produtora de vídeo, chamada Avião, informou que rodaria um comercial de cerveja nativa na praia do Hermenegildo durante o período da maré vermelha.
A Revista Reclame (sucessora da Revista Propaganda) deu em manchete na capa CHEGA DE FRESCURA e propôs uma revisão histórica da propaganda ARFP (Antes da Revolução Farroupilha na Propaganda). Assim, aquele anúncio tão premiado no passado, passou a ter um novo título: O PRIMEIRO CORPINHO (soutien para os estrangeiros) A GENTE NUNCA ESQUECE.
É claro que o processo ainda não está totalmente consolidado. Nas nossas principais agências – agora elas se chamam Seival, Piratini e Fronteira – dificilmente alguém deixará de cumprir o MPG (Manual do Publicitário Gaúcho), mas nas agências menores sempre escapam alguns erros. Outro dia, um varejo de Caxias lançou uma campanha, feita por um guri chamado Edgar Ferreti, com o título TUDO QUE VOCÊ QUERIA, desconhecendo o fato de que nós usamos o pronome TU, com muito mais apelo telúrico. 
Buenas, tchê. Essa charla está muito boa, mas está na hora do mate e o piá de recados já veio me avisar que o Patrão da Invernada Externa (é o antigo Diretor de Atendimento) o Sepeh de los Santos, quer reunir a Tertúlia Criativa (é o grupo de Criação, formado pelo Beto Cabelo, o Roberto Guasca Velho e o Ricardão ) para um Entrevero Mental (é brainstorming). 
Que o Patrão Velho me perdoe por usar uma palavra tão maldita como essa, brainstorming.
É isso aí, vivente. Quem não se adaptar vai ficar sem mel, nem porongo.
Saudações Farroupilhas.
(Texto em homenagem ao nosso grande chargista (ou melhor seria dizer desenhista?) Santiago Neltair Abreu)


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