Campos de concentração nos Estados Unidos.


Nem todas as pessoas sabem, mas como os nazistas durante a guerra e os russos durante a época de Stalin, os Estados Unidos também tiveram seus campos de concentração. Não estamos falando de Guantanamo, na ilha de Cuba, onde são mantidos presos, sem julgamento e submetidos a um regime de isolamento total, dezenas de prisioneiros árabes, vagamente acusados de terrorismo. Falamos de imensos campos de prisioneiros dentro do território norte-americano.
Episódio pouco lembrado pelos que insistem em ver nos Estados Unidos um modelo de democracia que respeita os direitos humanos, os campos de concentração americanos, distribuídos pelos estados da Califórnia, Arizona, Wyoming, Idaho, Utah e Arakansas, são mais uma nódoa na imagem americana.

Logo depois do ataque japonês a Pearl Harbor, em 1941,o governo norte-americano decidiu criar campos de concentração, principalmente na Califórnia, onde foram confinados durante o restante da guerra cerca de 120 mil pessoas, na sua maior parte de etnia japonesa, embora mais da metade delas fossem cidadãos norte-americanos.
Estes campos estiveram ativos de 1942 a 1948 e receberam também descendentes de japoneses de países da América Latina. Foram 2.264 pessoas, a maioria do Peru, mas também da Bolívia Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá e Venezuela.
Durante a guerra, 860 desses japoneses latinos foram trocados por prisioneiros americanos feitos pelo Japão e mais tarde, ao final do conflito, 900 foram deportados para o Japão


As famílias de etnia japonesa nos Estados Unidos recebiam um prazo de 4 dias para se desfazerem de seus bens, antes de serem internados nos campos de concentração, de onde não poderiam sair até o final da guerra.
Os campos foram construídos longe de áreas habitadas e obedeciam a medidas extremas de segurança. Eram cercados com arame farpado e vigiados por guardas armados com ordens de abater os que tentassem fugir.
Uma grande campanha de mídia levou o parlamento a apoiar essas medidas, assustando as pessoas com o “perigo amarelo”.
Um exemplo disso é esse comentário do jornal Los Angeles Times na época:
“Uma víbora é uma víbora, sem importar onde se abra o ovo. Do mesmo jeito, um japonês-norte-americano, nascido de pais japoneses, converte-se num japonês, não num norte-americano”.

Quando a paranoia contra os estrangeiros se tornou quase incontrolável nos Estados Unidos, se cogitou também internar nos campos de concentração alemães e italianos que viviam no país, mas houve tantos protestos que o governo norte-americano desistiu, argumentando que a estrutura econômica dos Estados Unidos ver-se-ia afetada e que o moral dos cidadãos descendentes de alemães e italianos decairia.
Somente em 1988, durante o governo Reagan, os Estados Unidos pediram desculpas oficiais às famílias dos internados e ofereceram uma compensação de 20 mil dólares para os seus sobreviventes.

Losurdo e a Revolução

Nós, os de esquerda, estamos sempre fuçando no passado em busca de exemplos para nos orientar no presente.

Já na Revolução Russa, os comunistas divididos em bolcheviques, mencheviques e socialistas revolucionários  morriam de medo da repetição do “thermidor” da Revolução Francesa.

Nós hoje nos perguntamos, onde foi que eles erraram e entregaram setenta anos de lutas e sacrifícios para o capitalismo predador?

De todas as análises que se faz Revolução Russa, nada mais é repetitivo que o discurso de uma esquerda que se diz democrática. É uma postura descomprometida com a realidade e que se apóia na ideia utópica de que seja possível fazer uma revolução dentro dos parâmetros de uma democracia liberal.

Como Marx e Engels se transformaram quase em santos a serem preservados, são seus seguidores como Lenin, Stalin e Trotski, que foram à luta para tornar realidade o comunismo proposto por ele, que são vistos, principalmente Stalin, como os agentes que deformaram os mais puros  conceitos marxistas e no final puseram tudo a perder.

Dizem que Lenin não entendeu que a Rússia não era o lugar previsto por Marx e Engels  para fazer uma revolução socialista  e atropelou a marcha da História.

Que Trotski também não assimilou os ensinamentos do marxismo de que antes de se formar um estado socialista, seria preciso passar pelo estágio da democracia burguesa, como queriam os mencheviques e ajudou Lenin a fazer a revolução.

Stalin foi outro que não entendeu o que diziam Marx e Engels sobre o conteúdo internacionalista da revolução e comandou um estado socialista que arrancou a Rússia da condição de um país quase feudal para transformá-la numa grande potência mundial.

A pretexto de um retorno ao ”marxismo puro”, se condena quase tudo que foi feito na URSS.

Na contramão desse pensamento, dominante nos meios acadêmicos e na intelectualidade de esquerda, se coloca o professor italiano Domenico Losurdo, autor de uma provocadora biografia de Stalin e que agora nos oferece para discussão o livro “Marx e o balanço histórico do século 20”.

O ponto central da argumentação dos que pretendem se apoiar em Marx e Engels para criticar o que chamam de “socialismo real”, em oposição ao desejado “socialismo democrático” seria a centralização do poder no sistema soviético e o domínio de um partido de profissionais sobre as organizações operárias.

Losurdo lembra que somente um sistema fortemente centralizado seria capaz de enfrentar a situação em que viveu a União Soviética depois da revolução, com a guerra civil, a intervenção de exércitos estrangeiros, o bloqueio econômico que durou por anos e depois a invasão nazista.

Para justificar esse tipo de totalitarismo existente na Rússia, Losurdo se socorre de uma afirmação, não de algum comunista, mas de John Stuart Mill, o grande filósofo e economista inglês do século XIX,quando ele diz que é plenamente legítimo “que se assuma um poder absoluto sob a forma de uma ditadura temporária em caso de necessidade extrema ou mesmo de uma enfermidade do corpo político que não possa ser curada com métodos menos violentos”.

Quanto à hegemonia do partido sobre as organizações operárias (sindicatos, sovietes) Losurdo lembra que o próprio Marx foi bastante claro ao lembrar que uma classe operária oprimida pelo poder da burguesia, não tem o distanciamento crítico suficiente para propor a saída revolucionária necessária. Essa será uma tarefa dos intelectuais comprometidos com os trabalhadores.

Diz Losurdo “Marx já tornou explicita a distinção entre classe em si e classe para si, pensamento mais tarde amplamente elaborado por Lenin”.

Quantas coisas já foram ditas para justificar o fim da União Soviética – falta de liberdades civis, ditadura de uma “nomenklatura” corrupta, enfim, a ausência de uma democracia aos moldes ocidentais (possivelmente a norte-americana) – menos, talvez a que Losurdo apresenta, ao lembrar que “ao abrir as portas da educação também às grandes massas populares antes excluídas, ao satisfazer em certa medida as necessidades básicas mais imediatas, o regime totalitário foi corroído pelos seus fundamentos. Não tinha como sobreviver a seu período heróico, nem o socialismo de guerra, nem a experiência de construção de um Estado de orientação não capitalista desenvolvido em condições dramáticas e excepcionais, porque, chamado a ajustar as contas com a democracia e suas garantias e suas regras, de modo a se elevar ao nível da sociedade civil avançada que ele próprio ajudara a criar, foi incapaz uma resposta adequada Trata-se uma oportunidade histórica miseravelmente perdida’.

E o que tem a ver Marx e Engels com isso? Para Losurdo, eles não são solução do problema da história real, mas são, eles próprios, parte constitutiva de tal história, a ser entendida, obviamente, não como um processo uniforme e linear, mas como um processo onde existem saltos, rupturas,avanços e regressões, algumas pavorosas”.

O que você precisa saber está nos livros

 

Na semana que está passando  estive na Feira do Livro de Porto Alegre,na Praça da Alfândega, pela terceira vez , para autografar um livro de crônicas. Nas outras 62 edições estive lá como leitor. Essa fidelidade aos livros vem desde os primeiros anos da minha juventude quando descobri que tudo o de mais importante que a humanidade já construiu está  nas páginas dos livros.

Minhas grandes descobertas se fizeram nos livros, principalmente nos romances. O humanismo socialista tem muito a ver com Jacques, do livro de Roger Martin Du Gard, Les Thibault. Foi esse mesmo autor que me ajudou a superar a ignorância da religião com o Drama de Jean Barois.

Com o passar dos anos transformei desconhecidos em grandes amigos, independente de suas nacionalidades.

A intimidade se tornou tão grande que hoje nem falo mais seus nomes completos.

Nessa grande confraria tem brasileiros, como Machado, Drummond, Érico, Amado, Raduan, Chico, Euclides e Rosa.

Portugueses, como Eça e Saramago.

Russos, como Tolstoi, Gorki.Nobokov e Dostoiesviski.

Alemães, como Mann, Brecht e Hesse.

Italianos, como Eco, Moravia, Calvino e Lampedusa

Franceses, como Du Gard, Rolland,Stendhal, Balzac, Flaubert  Sartre.

Os  americanos, como Hemingway, Mailler, Roth, Bukowski, Vidal, Faulkner, Talese, Capote

Os ingleses, como Shakespeare, D.H Laurence, Huxley, McEvans, Agatha, Wilde, Orwell, J.K. Rowlling.

Os espanhóis,  como Cervantes, Lorca e Semprúm.

Os latinos como Garcia Marques, Llosa, Cortazar, Neruda, Borges, Benedetti, Galeano, Fuentes, Padura, Martinez, Scorza, Mariategui.

Devo ter esquecido, como sempre acontece, alguns desses amigos.

Sem abandoná-los, em algum momento, achei que era necessário ler livros “sérios” que analisassem o mundo contemporâneo e me ensinassem o caminho para o humanismo marxista, começando pelo velho Marx, uma leitura nem sempre fácil, mas compensadora.

Depois, Engels, Lenin, Trotsky e os novos como Zizek, Meszaros, Losurdo.

Misturado com eles os historiadores como Chomsky, Deutcher, Hobsbawn, Shire. Gorender,  Werneck Sodré, Caio Prado.

Os combatentes pelo ateísmo como Richard  Dawkins, Hitchens;

Os filósofos, os ensaístas e os que escreveram grandes as biografias.

Em cada um deles, um ensinamento, um passo adiante na busca do verdadeiro homo sapiens que todos nós deveríamos almejar ser, principalmente agora que o Brasil está sendo governado por pessoas que certamente abominam os livros

 

Como era boa a minha francesa.

Ela olhou bem no fundo dos meus olhos e disse

-Allons.

Não era um convite, nem uma pergunta. Não tinha um ponto de interrogação no final. Se tivesse alguma coisa, seria um ponto de exclamação.

Eu ainda brinquei, fingindo de desentendido.

– Para onde?

– Chez moi. Tu habiteras avec moi.

Ela estava séria e determinada.

Eu morava em Porto Alegre e ela em Paris.

Em que língua, será que nos comunicávamos?

Meu francês era precário, mal aprendido nas aulas do professor Lovato, no Julinho.

Eu sabia recitar La Mort de Loup, de Alfred de Vigny (ou seria o Alfred de Musset?) e algumas estrofes da Marsellaise, “Allons enfants de la Patrie, le jour de gloire est arrivé”

Mas não devo ter recitado a poesia, nem o hino.

Naquela época eu estava mais interessado em futebol e naquela menina que morava em frente a minha casa na Rua Cruz Alta, a Lourdes Helena e que fingia que eu não existia.

Mas, a francesa era determinada e não tirava os olhos de mim. Ela falava pouco, mas não parava com as mãos.

Do português, ela aprendeu apenas “te amo”, que ela repetia com um sorriso nos lábios e pior (ou melhor), ela falava isso com aquele maravilhoso sotaque francês que me excitava ainda mais.

Afinal, eu tinha apenas 18 anos.

Pelos meus cálculos, ela teria 30.

Mais do que uma mulher maravilhosa, ela tinha aquela sensualidade que só as mulheres francesas dos filmes “rigorosamente proibidos até 18 anos” tinham

E melhor ainda, acho que estava apaixonada por mim.

Não lembro o que ela viera fazer no Brasil. Talvez algum filme passado em paisagens exóticas, como os diretores europeus gostavam de incluir em suas obras na época

E, como chegou a Porto Alegre?

Nunca fiquei sabendo. Talvez estivesse de passagem para Buenos Aires e seu avião fez uma escala aqui.

Eu era aprendiz de jornalista, na época.

Deve ter sido isso: mandaram fazer uma matéria sobre a famosa artista francesa e ela se apaixonara de cara por mim.

Será que ela me via como um “latin lover”?

Outro dia, revi minhas fotos com 20 anos. Não tinha nada do amante latino clássico. Era magrela, dentuço e com cabelos crespos.

Ainda preciso descobrir quais seriam meus encantos e se alguns deles ainda persistem.

E o que será feito da minha francesa?

Será que a minha Carla Orlandina Sanfelici,que mora em Paris, a conhece?

Ah.se eu fui com ela para Paris?

Claro que não, senão não estaria contando essa história.

Por que não fui?

Acho que tinha um jogo do Inter no fim-de-semana e eu não quis perder.

Ou, quem sabe, de repente ela mudou de ideia?

As francesas são sempre muito volúveis.

Os alienados.

Você está vendo um jogo do Internacional no Acre pela televisão e eles aparecem,mesmo que seja num grupo pequeno, com suas camisas vermelhas, torcendo por um time cuja sede fica a mais de mil quilômetros do estádio.

Em menor proporção, isso acontece também com o grêmio.

Em alguns jogos maiores, esses grupos podem ser de torcidas organizadas que viajam com o time, mas eles estão presentes também em jogos de pouca expressão.

Se os juniores do Inter, ou seu time feminino vai jogar em Pindamonhangaba , no interior paulista, lá estão eles, os vermelhos.

Isso, em menor escala, ocorre também quando o Inter joga no Exterior, mesmo que seja na Ásia ou na África

Claro que podem ser gaúchos perdidos no mundo e seus familiares, mas é também uma certa forma de alienação.

As pessoas teimam em introjetar valores, que não são seus ou que já não são mais seus.

Vamos pensar além do futebol para nos dar conta da extensão desse fenômeno.

Quando fui ao Rio de Janeiro pela primeira vez, tinha 17 anos e uma das visitas que me cobrei a fazer, além dos tradicionais Pão de Açúcar, Corcovado, Praia de Copacabana e Maracanã, foi aos estúdios da Rádio Nacional, no edifício do jornal A Noite, na Praça Mauá.

Fui assistir ao vivo, numa sexta-feira, o programa humorístico Edifício Balança Mas Não Cai, com o primo rico, Paulo Gracindo e o primo pobre, Brandão Filho, que já ouvia quando ainda morava em Farroupilha.

A Rádio Nacional, uma emissora pública, com seus programas de humor  (antes o PRK 30 e depois, o Balança); de auditório (programas  Manuel Barcelos , às quintas  e Cesar de Alencar, aos sábados, com suas estrelas Marlene e Emilinha Borba);, seus musicais (aos domingos ao meio dia com Francisco Alves, o Rei da Voz); os noticiários (O Repórter Esso, com Heron Domingues) e as transmissões esportivas (com Antônio Cordeiro e Jorge Cury) faziam o papel que a Rede Globo viria a desempenhar depois na conquista dos corações e mentes das pessoas.

No início da década de 50, quando se acirrou a guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, os americanos, que vinham vendendo para o mundo há muito tempo, o chamado “american way of  life” decidiram que o cinema, mais do que nunca, seria sua principal arma de conquista .

Claro que continuaram fazendo algumas guerras – a da Coréia foi a maior de todas – mas Hollywood passou a ser o grande divulgador do que era apresentado ao mundo  como a “democracia americana” em oposição ao “comunismo ateu e destruidor das famílias”

A famosa Comissão de Atividades Antiamericanas do senador McCarthy já havia depurado Hollywood de qualquer pensamento de esquerda, pondo na lista negra de Hollywood alguns dos seus mais importantes diretores e roteiristas principalmente, além de atores e escritores de alguma forma ligados ao cinema.

A imensa lista de suspeitos tinha nomes como Charles Chaplin, Orson Welles, Dashel Hemmet, Joseph Losey, Edward Dimytrick, Lillian Hellmann, José Ferrer, John Garfield, Willian Shirer, Zero Mostel, Leonard Berstein, Paul Robertson, Dalton Trumbo e Jules Dassin.  O grande diretor Elia Kaza (Um Bonde Chamado Desejo, Vidas amargas, Sindicato de Ladrões  e Viva Zapata, entre outros filmes),indiciado como suspeito,  inicialmente, se safou denunciando os companheiros.

Foi inicialmente através do cinema que os Estados Unidos construíram no mundo inteiro um sentimento, que ainda perdura, de defesa do sistema capitalista, ainda que ele exista apenas para beneficiar uma minoria poderosa e que exclui de suas vantagens, a maioria da população.

Para a grande maioria de homens e mulheres no mundo inteiro, o desfrute dos bens que a sociedade produz ( casas com piscina, carros, roupas caras, bebidas finas e viagens a  lugares exóticos) se faz apenas virtualmente, antes pelo cinema, hoje principalmente pela televisão e pelas redes sociais.

Mesmo assim, essa maioria de despossuídos, é a primeira a defender a continuidade desse sistema e de até morrer por ele.

Isso apenas confirma o que Marx disse há muito tempo, de que as massas têm a ideologia da classe dominante.

Numa escala menor, bem menor, se você mora em Rio Branco, no Acre e torce pelo Flamengo, Corinthians e grêmio, você é um alienado.

Se torcer pelo Inter, talvez seja apenas pelo vermelho da sua camisa, que lembra a Revolução.

 

A Revolução possível

Outro dia, quando critiquei a proposta de luta de Tarso Genro para os próximos anos da nossa esquerda, minha amiga Vera Spolidoro, me desafiou a sugerir uma alternativa melhor.

Talvez não seja ainda a resposta definitiva, mas relendo o livro de Jacob Gorender, Marxismo sem Utopia, vi algumas possibilidades.

Depois de dizer que o PT, que em certa época pareceu encarnar a possibilidade de uma solução socialista, se tornou, depois dos seus êxitos eleitorais, num partido social-democrata, Gorender lembra a greve de 1968 na França:

“O movimento foi iniciado pelos estudantes e já desencadeado, recebeu o apoio dos operários, dando lugar a uma greve de 9 milhões de trabalhadores com duração de 3 semanas. Sem dúvida, a maior greve da história.

Os trabalhadores foram os últimos a entrar no movimento e os primeiros a sair. Quando saíram, depois de concluir um acordo com o patronato e o governo, esvaziaram p movimento.

Numa conjuntura revolucionária, pode-se ter a expectativa de que o esquema se reproduza com um final diferente”.

Sintetizando sua ideia, Gorender diz que “a força social capaz de abrir caminho para a revolução só poderá ser o bloco de assalariados, dirigido por assalariados intelectuais. Um bloco constituído portanto, por segmentos variados no âmbito do trabalho assalariado, tendo a frente aqueles que são pagos para realizar tarefas intelectuais.”.

Esses acontecimentos no Equador e no Chile, não poderiam ser vistos como a repetição do maio de 68 da França?

Padura, Stalin e Trosky

Convidado pelo professor Mário Maestri, participei de um debate com a professora Nara Machado sobre o livro do Leonardo Padura, O Homem que Amava os Cachorros, na Livraria Ladeira.

Minha preocupação inicial foi chamar a atenção para o jogo que o Padura faz com seus leitores mais politizados, misturando fatos e personagens históricos com outros imaginários e com a mais pura ficção.

Nada contra, ressaltei, mas nada original.

Lembrei que Norman Mailer fez isso várias vezes. No livro Marilyn, ele diz que a CIA tramou a morte da atriz famosa para evitar que seu romance com Robert Kennedy pudesse por em risco alguns segredos do governo americano; em Uma Casa na Floresta, ele afirma que o pai de Hitler era seu avô; em Lee Osvald, ele também mistura a vida do presumível assassino de John Kennedy com grandes tramas envolvendo a máfia.

Mas não foi só Normal Mailler. Phillip Roth transformou Charles Lindbergh, a Águia Solitária, o grande herói americano e admirador dos nazistas, em presidente dos Estados Unidos,derrotando Roosevelt em 1942, no livro Complô Contra a América.

José Saramago recontou a história de Cristo numa visão de esquerda em o Evangelho Segundo Jesus Cristo.

No clássico Les Thibault, de Roger Martin du Gard, o personagem principal, Jacque Thibault se envolve em reuniões com dirigentes socialistas reais na luta para impedir a Primeira Grande Guerra.

Mais recentemente, em seu livro Submissão, Michel Houellebeck, descreve como um islâmico .ainda que  não radical, se torna presidente da França em 2022, numa aliança com a esquerda para evitar a vitória da extrema direita e começa a desmontar as conquistas sociais da sociedade laica francesa.

Puxando a brasa para o meu assado, conto que fiz algo parecido com meu livro Tudo Começou em1964, que só existe como e-book da Amazon, misturando a vida de um jornalista boêmio de Porto Alegre, na década de 60, com ações políticas de Leonel Brizola e dos eventos relacionados com a Legalidade.

Mas, o que estava adjacente à discussão sobre o livro do Padura e que interessava a platéia eram fundamentalmente os comportamentos de Trotsky e Stalin.

Como todos sabem, o homem que amava os cachorros, que dá título ao livro, é Ramon Mercader, ou Jacques Monard ou ainda Frank Jacson, enviado por Stalin para assassinar Trotsky  em  Coyocan, o que se consumou no dia 20 de agosto de 1940.

Mercader ficaria preso no México durante 20 anos e depois de libertado, dividiria seu restante tempo de vida entre Moscou e Havana, onde acaba por se tornar o personagem principal  de Padura.

Até o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, Josef Stalin, que comandou a URSS  durante mais de 30 anos, até sua morte em 1953,era chamado o Guia Genial dos Povos.

No dia 25 de fevereiro de 1955, tudo começou a mudar, quando Nikita Kruchiov, que havia sido seu fiel seguidor  durante muitos anos, leu perante os membros mais importantes do partido, o seu relatório secreto, apontando os crimes de Stalin, principalmente os decorrentes dos julgamentos de 1937, da coletivização forçada agricultura e do processo acelerado de industrialização do país.

A partir daí, a imagem de Stálin se transformou de herói em vilão enquanto que a de Trotsky, o criador do Exército Vermelho, depois exilado e mais tarde assassinado a mando de Stalin, cresceu entre grupos comunistas do mundo inteiro, embora ele nunca tenha sido reabilitado até o fim da União Soviética.

Duas ou três questões, levantadas pelos presentes, mostraram logo que havia quase uma unanimidade na platéia: Stalin era um criminoso e Trotsky um herói.

Como todo o pensamento maniqueísta, esse olhar sobre a história da revolução russa, me pareceu equivocado.

A realidade mostra que durante os longos anos da ditadura de Stalin, a Rússia se transformou na república líder da União Soviética, e o país foi arrancado do estado quase feudal em que vivia para se transformar numa grande potência mundial.

Seu povo, quase analfabeto antes, teve acesso à educação e à saúde e viveu sempre numa sociedade onde o pleno emprego era a regra.

Mais adiante, a partir do início da Segunda Guerra Mundial, foi sob a liderança de Stalin, ou apesar dele, como querem seus críticos, que a mais poderosa máquina de guerra até então montada, a Wehrmacht, o exército nazista, foi derrotada pelo Exército Vermelho e o mundo escapou de viver sob o tacão de Hitler.

Lembrei para os presentes que hoje, a partir dos documentos liberados com o fim da União Soviética, é possível se avaliar melhor o papel desses dois grandes nomes da revolução soviética, Stalin e Trotsky.

Para as pessoas presentes e para os meus possíveis leitores recomendo o livro do historiador italiano Domenico Losurdo, Stalin, a História de uma Lenda Negra, que tenta analisar o que aconteceu na URSS durante os longos anos do governo de Stalin, da forma mais isenta possível.

Para os que já optaram por Stalin e querem novos argumentos para a defesa que possam fazer dele, nada melhor que a obra do belga Ludo Martens, Stalin,Um Novo Olhar .

É dele a linha imaginária que mostra os agentes da destruição da experiência socialista russa. Ela começa com Trotsky, segue com Kruchiov, Brejnev, e termina com Gorbachov.

 

 

Suas últimas palavras

Você precisa estar preparado para o  grand finale.

Será sua última chance de ser lembrado por algo criativo, de impacto,memorável.

Mas, lembre-se, vai depender só de você.

Não vai ser como nos filmes, com trilha sonora dramática ou efeitos especias  É você prestes a abrir a porta da eternidade.

Concentre-se: é sua última chance de fazer com que as pessoas esqueçam todas as bobagens que você já disse para ser lembrado apenas pelas suas palavras finais.

Eu, por exemplo, não quero ser surpreendido e chegar a essa hora decisiva sem um texto pronto e decorado.

Andei lendo as últimas palavras de gente célebre e vi como muitos quase puseram a perder suas biografias por dizerem banalidades numa hora dessas.

Elvis Presley disse à namorada: “Vou ao banheiro para ler”

Frank Sinatra, podendo falar da Ava Gardner, das suas músicas e de seus filmes, disse apenas:  “Estou perdendo”.

 

Alfred Hitchcock, que sempre soube terminar bem seus filmes, sobre a vida: “Nunca se sabe o final”.

 

 

 

Salvador Dali queria saber apenas, “Onde estão meus relógios?”.

 

Outros não perderam a pose nessa hora crucial.

 

Churchill: “Estou entediado com tudo isso”

 

Frida Kaklo: “Espero que a saída seja alegre porque nunca mais vou retornar.”

Beethoven: “Aplaudam amigos, a comédia terminou.”

 

Anna  Pavlova,  esperava continuar dançando: “Aprontem a minha fantasia de cisne branco”.

Marx foi contestador até o fim: ”Últimas palavras são para tolos que nunca disseram o suficiente”.

 

 

 

O outro Marx, Groucho sobre o que lhe aguardava::“Por que eu deveria me importar com a posteridade? Ela nunca fez nada por mim.

 

Getúlio Vargas deixou por escrito suas últimas palavras: “Saio da vida para entrar na história”.

Munido de todos esses exemplos estou preparando meu discurso final, que espero seja provocativo suficiente para não abalar a minha fama de mau. Não pretendo nesse último momento, amolecer o coração para ser lembrado depois como aquele cara que “apesar de  tudo,  no fundo  era um bom sujeito”.

 

Precisamos ler o Zizek

Slavoj Zizek é hoje o mais original e provocador teórico da esquerda no mundo inteiro. Misturando principalmente os conceitos de Karl Marx com os do psicanalista francês Jacques Lacan, Zizek faz uma nova leitura dos limites do capitalismo e propõe uma retomada do comunismo sobre bases totalmente diferentes das existentes até então.

Nascido em Liubliana, Eslovênia, em 1949, Zizek é professor da European Graduate School e pesquisador do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, mas é acima de tudo um novo tipo de filósofo e político que se utiliza de todos os meios de comunicação possíveis para emitir opiniões sobre os mais variados temas, que vão da crise do capitalismo às artes, passando pelo cinema e pela música.

São, porém, em seus livros e nos debates acadêmicos, que faz pelo mundo inteiro, inclusive no Brasil, que Zizek, solidamente apoiado pela leitura dos grandes filósofos alemães do passado, principalmente Hegel e Kant, e dos franceses atuais, como Lacan, Foucoult e Badiou, destila seus pensamentos sempre originais.

Ao negar a hegemonia da democracia como modelo político, principalmente a chamada democracia liberal, ele afirma que esse modelo é apenas a face visível do capitalismo como sistema econômico, que só funciona na medida em que se fundamenta na existência de dois grupos sociais, o dos “incluídos” e o dos “excluídos”.

No ensaio”“Alain Badiou ou a violência da subtração”, contido em seu livro ‘Em defesa das causas perdidas” (Boitempo Editorial, 2011), ele faz uma distinção entre povo e proletariado e defende a ideia de “ressuscitar a boa e velha ditadura do proletariado como a única maneira de romper com a bio política atual”.

Diz ele que a democracia também é uma forma de ditadura, ou seja, é uma determinação puramente formal e que o estado-burguês, mesmo com suas eleições periódicas, é uma fachada para a ditadura burguesa.

Ao retomar o conceito de Marx do sentido revolucionário do proletariado, Zizek diz que o proletariado é a única classe social capaz de representar o interesse universal da sociedade, porque ao contrário das outras classes sociais que podem potencialmente atingir a condição de “classe dominante”, o proletariado não pode atingir essa condição sem abolir a si mesmo como classe.

No seu livro “As portas da revolução: escritos de Lenin de 1917’, Zizez afirma que Lenin soube articular o realismo com a utopia, quando disse que “é preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho. De observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles”.

O legado de Lenin, a ser reinventado hoje, segundo Zizek, é a política da verdade. Tanto a democracia liberal, como o totalitarismo impedem uma política da verdade.

Espalhados pelos seus diversos livros, quase todos traduzidos para o português, ou nas suas múltiplas conferências, podemos colecionar alguns pensamentos de Zizek, quase sempre polêmicos.

Sobre fundamentalismos:

“Precisamos parar de estabelecer essa relação direta do fundamentalismo com o Islã. Há fundamentalistas nos Estados Unidos, na Noruega e na Europa Oriental.A Hungria vive um pesadelo fascista hoje, isso sem falar na Índia, onde o fundamentalismo é muito forte.”

Sobre ideologias:

“É fascinante dizer hoje que, com exceção de algum louco fundamentalista religioso, nós não temos mais ideologia, somos todos cínicos pragmáticos. Mas não, eu acho que mais do que nunca, a ideologia é hoje parte da nossa vida cotidiana. Na verdade, é uma parte até invisível”.

Sobre Hillary Clinton:

“Julian Assange está certo em sua cruzada contra Hillary, e os liberais que o criticam por atacar a única figura que pode nos salvar de Trump estão errados. O alvo a ser atacado e solapado agora é precisamente esse consenso democrático contra o ‘vilão’.”

Sobre a Europa:

“A Europa está presa em um ciclo vicioso, oscilando entre dois falsos opostos: a rendição ao capitalismo global, ou a sujeição a um populismo anti-imigração”

Sobre a corrupção:

“A lição dos Panama Papers é justamente que a corrupção não é um desvio do sistema capitalista global, ela é parte de seu funcionamento básico”.

Sobre a luta de classes e os atentados na França:

“É preciso trazer de volta a luta de classes e insistir na solidariedade global dos explorados e oprimidos. Sem essa visão global, a patética solidariedade para com as vítimas de Paris não passa de uma obscenidade pseudo-ética.”

Sobre o ateísmo:

“Enquanto um verdadeiro ateu não tem necessidade de apoiar sua própria posição provocando crentes com blasfêmia, ele também se recusa a reduzir o problema das caricaturas de Maomé ao respeito às crenças de outras pessoas.”

Sobre os refugiados:

“Não podemos abordar a crise dos refugiados sem enfrentar o capitalismo global. Os refugiados não chegarão à Noruega. Tampouco a Noruega que eles procuram existe.”

Sobre ser politicamente correto:

“A necessidade de regras politicamente corretas surge quando os valores não ditos de uma sociedade não são mais capazes de regular efetivamente as interações cotidianas – no lugar de costumes consolidados seguidos de forma espontânea, ficamos com regras explícitas  – negro se torna afro-americano, favela se torna comunidade, um ato de tortura passa a ser denominado oficialmente de técnica aprimorada de interrogação, de tal forma que estupro poderia muito bem passar a ser chamado de técnica aprimorada de sedução”.

Sobre as favelas brasileiras:

“O Brasil é um dos únicos países que conheço que não esconde as favelas. Em Buenos Aires, por exemplo, elas não são vistas. Não digo que elas formem um magnífico cenário hollywoodiano, mas pelo menos é melhor que sejam vistas! E me pergunto: como funciona a vida social nas favelas? Há milhares de pessoas amontoadas, então, além dos bandidos e comunidades religiosas, tem de haver um tipo de rede social que faça a favela funcionar.

Sobre os objetivos da esquerda:

“O sonho secreto da Esquerda radical nas últimas décadas consistiu no que ela mais temia, a perspectiva real de tomar o poder. Eles têm medo do poder. Acho que nesse sentido temos de ser brutais e não ter medo do poder”.

Sobre o papel das mulheres:

“Lacan fala de Santa Tereza, por exemplo – que a mulher goza, que ela não sabe o quê, mas simplesmente, sem palavras, goza. É interessante pensarmos em Santa Tereza nesse sentido. Se há uma pessoa que não existiu fora da ordem simbólica, ela é Santa Tereza. Ela escrevia o tempo inteiro, era uma pessoa de escrita histérica. Essa é a posição feminina, não esse tipo de mãe primordial

Sobre as recentes manifestações públicas na Europa

“Sou a favor de reuniões e protestos, porém não me convencem seus manifestos de desconfiança de toda a classe política. A quem se dirigem, então, quando pedem uma vida digna”?

Sobre ele mesmo:

“Sou um pessimista no sentido de que estamos nos aproximando de tempos perigosos. Mas sou um otimista exatamente pela mesma razão. O pessimismo significa que as coisas estão ficando bagunçadas. O otimismo significa que esta é precisamente a época em que a mudança é possível”.

No dia 6 de março de 2013, um dia após a morte de Hugo Chávez, Slavoj Zizek começava uma conferência na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, afirmando que “Chávez era um de nós independente do que se queira dizer sobre ele” e depois explicou porque pensava assim:

“Todo mundo gosta de simpatizar com favelas, de fazer caridade. Caridade é o que existe de mais fashion no novo capitalismo global. Faz as pessoas se sentirem bem e ao mesmo tempo despolitiza a situação. Todos querem fazer caridade, mas nem todos querem incluir a favela na política. Chávez viu que não incluir todos os excluídos significa viver em permanente guerra civil. Por isso ele viverá para sempre”

 

 

 

Da farsa à barbárie

O filme Tora, Tora, Tora, que a Sala Redenção da UFRGS exibiu recentemente, tem duas histórias interessantes, a do filme propriamente dita  e a das razões do ataque à base americana de Pearl Harbor,no Haway, no dia 7 de dezembro de  194, então uma base militar no Pacífico e não ainda um estado americano.

Tora, Tora, Tora, o nome em código da operação (Tigre, Tigre, Tigre), é de 1970, foi produzido por duas unidades, uma americana e outra japonesa. A americana tinha a direção de Richard Fleischer e a japonesa deveria ser dirigida pelo grande Akira Kurosava,que acabou se afastando da produção, sendo substituído por Kinji Fukaaku e Toshio Masuda. O elenco não tinha grandes nomes, mas seus atores eram bem conhecidos das produções de Hollywood, como Martin Balsan e Jason Roberts. O mais famoso era Joseph Cotten. Obviamente o filme dá a versão oficial das razões do ataque japonês e o heroísmo dos defensores americanos e se destacou na época pela alta qualidade das cenas de combate, se aproximando bastante de uma linha documental.

A segunda história, mas interessante, é a de que os americanos sabiam da possibilidade do ataque e que o alvo seria Pearl Harbor e, de certa forma estimularam os japoneses a esse ataque desesperado.

Em 1941, a guerra se arrastava há dois anos e os Estados Unidos, quase abertamente, ofereciam equipamentos militares à Inglaterra, embora oficialmente estivessem fora de guerra. A população americana,  segundo pesquisas da época, desaprovavam a participação de soldados dos Estados Unidos nos campos de batalha, mas o governo Roosevelt já percebera que o mundo seria dividido depois entre as potências vencedoras.e não queriam fica de fora.  O interesse econômico dos Estados Unidos estava no Pacífico, onde já tinham montado uma grande base militar no Haway. No verão de 1941, os EUA entraram, junto com a Inglaterra, com um embargo de petróleo contra o Japão. O Japão precisava de óleo para a sua guerra com a China e não tinha outra opção, a não ser a invasão das Índias Orientais e o Sudeste da Ásia para obter novos recursos que necessitava.  Roosevelt queria manobrar o inimigo para que este atacasse primeiro. O presidente precisava de um ataque capaz de levar a opinião pública a uma comoção extrema e com disposição para apoiar uma guerra longa contra um inimigo “desleal e bárbaro”.

Pouco antes do ataque, providencialmente, todos os porta-aviões americanos da frota do Pacífico deixaram Pearl Harbor e partiram para os EUA. Só os navios velhos e ultrapassados foram deixados em Pearl Harbor.

Segundo a maioria dos historiadores mais sérios houve ainda outros indícios de que Roosevelt estava bem a par das intenções japonesas:

No dia 27 de janeiro de 1941, Joseph C. Grew, o embaixador dos EUA para o Japão, enviou uma mensagem para Washington afirmando que ele tinha descoberto que o Japão estava se preparando para ataca Pearl Harbor.

Em 24 de setembro, um despacho da inteligência naval japonesa, para o cônsul geral do Japão em Honolulu foi decifrado.

A transmissão revelava um pedido de uma grade com as localizações exatas de todos os navios em Pearl Harborr.

Surpreendentemente, Washington optou por não compartilhar essas informações com os oficiais em Pearl Harbor.

Inclusive, na mesma noite antes do ataque, a inteligência dos EUA decodificou uma mensagem apontando para domingo de manhã, como o prazo estabelecido para algum tipo de ação japonesa.

A mensagem foi entregue ao alto comando em Washington mais de quatro horas antes do ataque a Pearl Harbor.

Mas, como muitas mensagens antes, a informação não foi transmitida ao alto comando em Pearl Harbor.

O ataque japonês ocorreu no dia 7 de dezembro de 1941. Os Estados Unidos declararam guerra ao Japão no dia seguinte, 8 de dezembro. A guerra iria durar até agosto de 1945 com a explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima e depois Nagasaki.

O que começara como uma farsa terminou com a barbárie atômica.